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Caminho de Santiago de Compostela – parte 1

28 de maio de 2016
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UMA VIAGEM EXTRAORDINARIAMENTE HUMANA E EXTRAORDINARIAMENTE DIVINA!

Decidi que ia acompanhar Marcelo fazendo o Caminho de Santiago de BIKE em Novembro 2014 e em maio de 2015 estávamos no voo. Foram 6 meses de preparação física e psicológicas intensas. Vários treinos e varias reuniões com o grupo de Peregrinos que descobri na net. Foram valiosos pois tivemos várias dicas do que levar e principalmente, do que não levar….

Todos os depoimentos convergiam para um ponto: “Fazer o Caminho de Santiago muda a vida de uma pessoa”. Sinceramente, com um certo ceticismo, várias vezes me perguntei: “Como assim? como pode um Caminho mudar minha vida? O que pode mudar na minha vida?”

Viajei cheia de dúvidas. Cheguei a pensar que era apenas um exagero, se referindo a uma viagem boa. Mas hoje indico esta viagem para cada ser humano da terra! Só indo para entender…

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Para chegar lá, por si só, ja foi uma odisseia: Recife-Madrid (avião); Madrid-Pamplona (trem); Pamplona-Saint Jean Pied Port (taxi). Levamos as bikes do Brasil, de forma que transportá-las neste trajeto não foi uma tarefa fácil… Exceto se sua BIKE for muuuuito especial (a minha era) eu sugeriria alugar lá mesmo… Muito mais simples.
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Dormimos em Saint Jean Pied Port e bem cedinho pela manha partimos para nosso trajeto. La em Saint Jean tem muuuuitas opções de pousadas de todos os preços, que variam de 5 a 20 euros por pessoa. A cidade vive dos peregrinos e bicigrinos. Tem gente dos 4 cantos do mundo! No centro da cidade tem uma casinha onde vc pega o seu passaporte (que deve ser carimbado em todas as cidades do caminho) e recebe uma concha, que é o símbolo do caminho, para pendurar na sua bike ou na sua mochila.

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1° dia: Saint Jean Pied Port (França) a Viscarret – 40 km  1

Só  tem uma palavra q podemos resumir todo o dia de hoje, subindo os Pirineos: SOBREVIVEMOS!

Foi o maior desafio da nossa vida até hoje! Pensei q ia morrer e qdo vi a pousada, comecei a chorar!

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Dizem, e eu concordo plenamente: se vc vencer os Pirineos, vc chega até o final!

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Era uma mistura de sensações : muuuito frio, chovendo granizo, uma altimetria q variou de 230 a 1480 metros de altitude e uma adrenalina que não dá p descrever…. Fizemos 40 km e nada do q eu tinha feito até hoje, tudo junto e misturado,  chega aos pés do que vivemos hoje!

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O menos reconfortante de tudo foi chegar lá e encontrar a placa: FALTAM 790 KM PARA SANTIAGO!

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Como assim?? Kkkkk Só????

2 dia: Viscaret a Puente de la Reina – 60 km    2

Como foi bastante descida (compensando tudo que havíamos subido no dia anterior) e estava chovendo bastante, eu não conto as vezes que caí! Muita lama, pneus nao me obedeciam… Cheguei a pensar se era pior subir ou descer… e cheguei a desejar uma subidinha… Foi aí que veio o grande desafio do Alto do Perdao! Já nao sabia mais o que era pior… Mas a vista compensava a cada metro rodado. Fantastico. Simples assim.

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Puente de la Reina tem, entre tantas centenas de pontes do Caminho, uma das mais lindas pontes que eu já vi. Nao resisti e saquei a bandeira do Brasil que eu havia levado comigo e registrei este momento.

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3 dia: Puente de la Reina a Logrono – 72 km   3

No caminho encontramos uma fonte inusitada: de vinho tinto !!!

 

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20150517_181740Abastecemos nossos cantís, despesamos a água e substituímos por vinho bom e de graça!!!! Lembrei do grande slogan do Caminho: “Com pão e vinho se faz o caminho! Chegamos no albergue ainda cedo e fomos apreciar as deliciosas tapas da regiao.

4 dia: Logrono a Vilória de la Rioja – 65 km   4

Foi tão duro q nem consegui escrever. …

Fizemos 65 km e fizemos a besteira de parar em Nájera, na hora do almoço, p comer. …

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A comida foi fantástica (sem exageros, acho que a melhor do caminho),  o vinho maravilhoso,  mas quando lembramos q ainda tinha 30km pela frente, já era tarde…..

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Paramos em Viloria de Rioja. na Pousada do Acácio: brasileiro que nos recebeu com , nada mais, nada menos que uma deliciosa feijoada! Meus olhos pareciam nao acreditar no que viam!

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5° dia: Vilória de la Rioja a Burgos – 58 km   5

 

 

Subindo os montes de Navarra, refleti sobre o caminho:

 

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Quando penso que a dor no bumbum está quase insuportável, que já tentei todas as posições possíveis, que parece q estou sentada num espinho, Deus manda o frio e a chuva.

Então minhas mãos e meus pés começam a congelar mesmo dentro das luvas e sapatos e isto me faz esquecer o bumbum…

Depois quando penso que vou morrer de frio, Deus manda a montanha e o esforço q eu tenho q fazer é tão grande que aquece todo meu corpo e eu já não percebo as mãos e pés….

Aí vem a descida e o vento-contra lembrando do bumbum, das mãos,  dos pés,  dos músculos e tudo junto e misturado….

Assim são as provações do Caminho…..

 

 

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6° dia: Burgos a Carrion de los Condes – 87 km   6

Até aqui tudo ótimo,  apesar do cansaço. …

Um dia carregado de emoção. Basta dizer que cada um de nós 5 chorou horrors, em algum momento do dia, durante o pedal. Mil razões, que cada um sabe bem.

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E para completar, ao chegar na pequena cidade, fomos informados que jai a começar o canto com as freirinhas no convent/alberque. Claro que fomos para lá e havia uns 30 peregrinos de vários paises do mundo, cantando e fazendo uma preçe em seu idioma. Apesar de não ter idéia do que os holandeses, japoneses, russos, etc falaram ou cantaram, foi tão lindo e contagiante que parecia que estávamos todos falando a mesma lingua…

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Hoje bati meu record pessoal de 87 km num dia e ultrapassamos a metade do percurso. A lição de hoje é: “viva um dia de cada vez”.

E preciso confessar que, devido à exaustão física, depois de quase uma semana dormindo em albergues comunitários, decidimos gozar do “luxo” do peregrino e ficar num hotel, ao invés de albergue.  Resultado: quarto de casal, apenas p nós dois, sem roncos alheios, com lençóis e toalhas e ainda vibrei quando vi sabonete!!!! Exclamei p marcelo : “minha nossa! Quanto tempo não via sabonete solido!” (o nosso era sempre liquido, num frasquinho de plastic pequeno para nao pesar na mochila e ser mais fácil de transportar…)

Kkkkkkkk foi uma gargalhada dupla!

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Continua no próximo post:  Caminho de Santiago – parte 2